Consórcio Agro dispara e se torna estratégia vital para produtores; carteira do Sicredi atinge R$ 16,1 bilhões



Modalidade cresceu quase 25% no último ano. Produtores utilizam o crédito principalmente para renovação de frota, maquinário pesado e novas tecnologias como drones.

O planejamento financeiro no campo está mudando de perfil. Diante da necessidade de investir sem comprometer o fluxo de caixa com juros elevados, o produtor rural tem migrado massivamente para o sistema de consórcios. Reflexo direto desse movimento, o Sicredi encerrou 2025 com um recorde: R$ 16,1 bilhões em créditos ativos na carteira de consórcios agro, um crescimento de 24,6% em comparação ao ano anterior.

Atualmente, o agronegócio já representa 26% de toda a carteira de consórcios da cooperativa, que ultrapassa a casa dos R$ 61 bilhões. Apenas em novas vendas para o setor no último ano, o volume chegou a R$ 4 bilhões.

O que o produtor está comprando?

Diferente do passado, onde o consórcio era focado quase exclusivamente em imóveis ou tratores, o perfil de compra em 2025 mostrou uma diversificação estratégica. De acordo com o levantamento, os créditos foram destinados para:

  • 51,6%: Aquisição de automóveis (utilitários e carros de passeio);

  • 16,3%: Veículos pesados (máquinas agrícolas, implementos e drones);

  • 15,2%: Imóveis (aquisição ou reforma).

O ticket médio das cotas no segmento agro é elevado, girando em torno de R$ 154,4 mil, o que demonstra que a ferramenta é utilizada para aquisições de grande porte e estruturais para a propriedade.

Estratégia sem juros

Segundo Thiago Rossoni, diretor executivo de Produtos e Serviços do Sicredi, a atratividade da modalidade está na matemática financeira. Ao contrário de financiamentos tradicionais, o consórcio não cobra juros, incidindo apenas a taxa de administração e fundo de reserva.

"O consórcio agro se destaca por oferecer taxas competitivas e planos flexíveis, alinhados ao ciclo produtivo do campo (safra e entressafra). Nosso portfólio viabiliza desde a compra de maquinários tradicionais até drones e placas solares", explica Rossoni.

Tendência de Mercado

O movimento não é isolado. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que, de janeiro a outubro de 2025, o volume de créditos comercializados para máquinas agrícolas no Brasil cresceu 16,9%, totalizando R$ 21,9 bilhões. Isso indica que o produtor rural está substituindo o crédito imediato e caro pelo crédito planejado e mais barato.

Para a região, onde o agro é o motor da economia, esses números sinalizam um amadurecimento na gestão das propriedades rurais, que passam a encarar a renovação de frota e tecnologia não como um gasto urgente, mas como um investimento programado.

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